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#16

Garota de Ipanema: Gingado Rumo à Velhice - Por Cristiane Pomeranz

- Duração: 00:13:27

As reflexões de gente  super gabaritada tem sido nossa marca nos podcasts , nossos amigos mandam  pelo whatsapp  o audio e colocamos no ar , neste episodio vamos ouvir a Cris Pomeranz em uma auto reflexão muito bacana sobre sua maturidade, não  deixe de ouvir outra reflexão que a Cris fez tambem aqui no podcast que foi um sucesso, ( Velhice sem contornos , o que Monet tem com isso ?)



Essa tal de meia idade mais parece uma reviravolta na vida. De uma hora para outra o tempo nos vira do avesso e eu, longe de parecer a Garota de Ipanema que envelhece como musa, faço esforços sobre-humanos para me adaptar a essa nova forma de caminhar pela vida e na velhice.


Nestes últimos tempos a música garota de Ipanema não me sai da cabeça. A mais conhecida canção da bossa nova, composta em 1962 por Vinicius de Moraes e Tom Jobim tornou-se um hino à graça e aos atributos femininos lindamente representados por Helô Pinheiro, que na época, com 17 anos, encantou os compositores que, sentados à mesa de um bar, a viam passar a caminho do mar. A garota de Ipanema chamava atenção não só por sua jovialidade e beleza, mas também por desfilar um balançado que era bem mais que um poema, como já dizia a canção. O encanto de seus passos foram transformados em uma música mundialmente conhecida e eu, ultimamente, cantarolo sua melodia numa tentativa de elaboração dos fatos.

Atualmente, estou passando por uma fase onde o choque de realidade tem me tirado o prumo. Estou virando algo muito similar a uma pata choca e isso é fato. A imagem de uma pessoa que andava de maneira graciosa vai aos poucos se desmanchando e dando espaço a um mancar que indica uma falta total de molejo nos quadris e em toda e qualquer junta do meu corpo. Não consigo mais levantar de uma cadeira sem que pareça estar voltando de uma luta onde, obviamente, fui nocauteada. Meus movimentos que, um dia foram harmônicos, sofreram uma metamorfose e transformaram o meu caminhar em algo, diria, no mínimo estranho.
Hoje foi um dia marcante, pois sentada na sala de espera, recusei-me a olhar o celular e resolvi então ficar observando as pessoas que entravam e saíam do saguão. De repente o caminhar de uma senhora de sessenta e poucos anos me chamou a atenção por sua completa falta de charme. Ficarei como ela? Com certeza, ela seria a presidenta do clube das pata chocas, caso houvesse um. Mancava mais do que minha mãe antes de colocar a prótese no quadril e isso, em meio a um nada fazer, comum nas esperas, me fez fazer uma retrospectiva dos gingados da minha vida.

http://www.portaldoenvelhecimento.com.br/garota-de-ipanema-gingado-rumo-velhice/